28/06/2008

"20) DIGAM SIM!"


"Crescer entre os melhores, ou apequenar-se?"

DIGAM SIM!

Vitòrio era um homem de hábitos comuns. Natural da Calábria, província da Itália, chegou ao Brasil cheio de sonhos," fazer a América".

Galanteador, não podia ver um rabo de saia. Ao chegar a uma das tantas fazendas de cafés existentes no interior do estado, enamorou-se da futura esposa.

Nos finais de semana, descansando do plantio e da colheita, entre um beijo e uma volta ao redor da praça matriz, Vitòrio tomou gosto pelo futebol e pelo "Palestra", mais especificamente. Pois é, tudo que pudesse lembrar a Itália tinha um apelo aos sentimentos desse homem tosco, verdadeiro símbolo do homem do campo.

Entre um gole de café e um cigarro de palha, nosso personagem pôde acompanhar passo a passo, a gloriosa campanha de 1942, do campeonato estadual - embora as novidades nunca chegassem rapidamente.

Quanto à mudança de nome (Palestra/Palmeiras), enquanto foi vivo, nunca aceitou. Obviamente, Vitòrio achava um ato traiçoeiro com a "Nostra Itàlia". Carcamanos eram todos aqueles do Ministério da Justiça, que planejavam acabar com os últimos suspiros da memória da terra natal.

O homem veio ter à capital, quando pensaram em desapropriar as dependências do único e caro patrimônio palestrino – "Stadium Palestra Itàlia" .

Oportunistas ocasionais da 2ª Grande Guerra tramavam tomar o que pertencia por direito à colônia de trabalhadores fabris. Observando ostensivamente, assustaria a quem lê, saber que entre os "oportunistas ocasionais", encontravam-se membros de um certo clube, que construiria sua sede na Zona Sul da cidade?

Muitos de nossos antepassados, incluindo Vitòrio (Nono Vitòrio, como era chamado pelos netos) impediram a entrada de quem quer que fosse, acorrentados à porta principal. Pois é, houve quem dissesse sobre barricadas de tambores de óleo ardendo, preparados para um suicídio coletivo.

Nono Vitòrio justificou a raça de "bravos homens e guerreiros" que o Hino Nacional Italiano – "Fratelli D`Itália" – apregoa.

Entre os irmãos da mesma terra, cerrando fileiras intermináveis de corajosos torcedores, "apaixonados pela Itália e pelo Palestra", Vitòrio disse sim à causa dos preservadores da memória de uma tal "Società Palestra Itàlia" .

Que mais essa história possa incentivar nossos conselheiros - independente das frentes políticas que defendam – a votar pelos ideais e não pelos indivíduos, tornando assim todos dignos de cantar, iguais aos nossos antepassados, "Fratelli D`Itàlia" .

Membros do conselho e nobres palmeirenses: "DIGAM SIM!" .

24/06/2008

"19) SIMPLESMENTE VITÓRIA"


"Vencemos ... por todos aqueles que foram criticados e deram a volta por cima."

"SIMPLESMENTE VITÓRIA!"

Vencemos o Vasco às custas de um ritmo cadenciado, valorizado pela posse de bola e pelo pouco permitido ao ataque cruz maltino.

Vencemos pelo levantamento milimétrico do lateral Élder e cabeçada letal do matador Alex. Pelo desarme do “Mago”, passe de Martinez e arranque, drible e disparo de Kléber.

Vencemos a desconfiança de nossa torcida, ressabiada com nossas performances anteriores, fazendo cair por terra o título de mercenários.

Vencemos a intransigência política de nossas bases, primeira adversária alviverde.

Vencemos o jornalismo sensacionalista, que tem como objetivo único, vender.

Vencemos nossos preconceitos e juízos de valor precipitados.

Vencemos por Leandro, Martinez e Kléber; Luxemburgo e Cipullo; e por todos aqueles que foram criticados e deram a volta por cima.

Vencemos pela filosofia implantada no início de 2008 e por todos aqueles que acreditam piamente no processo.

Vencemos pelos críticos construtivos que procuram acrescentar, ao contrário das cornetas improdutivas, que não nos oferecem alternativas para os erros cometidos.

Vencemos por nossa história. Pela alegria de nossa torcida ... Pelos novos tempos.

21/06/2008

"18) COLEGAS: QUEM É O MELHOR?"


" ... alguém se recorda de 1996?"

"COLEGAS: QUEM É O MELHOR?"

Uma rodada afirmativa nos espera. Sorria alviverde! O instável Vasco será o nosso adversário. Mesmo oscilando, não podemos esperar facilidades dos cariocas.

Contra os vascaínos realizamos jogos memoráveis ... decidimos títulos - perdemos e ganhamos. Alegrias e tristezas. Na virada do século, por exemplo, comandados pelo sempre eficiente Scolari, conquistamos a Copa Rio/SP. Foi o último título alcançado sob a batuta do gaúcho, antes de sua saída de Palestra Itália.

Aliás, assistindo o jogo Alemanha versus Portugal (Eurocopa, quinta feira próxima passada), matei as saudades dos velhos tempos. Simplesmente sensacional! Um selecionado português que não se entregava, mesmo com o resultado adverso; característica do velho Scolari e seu estilo "sangue nos olhos", onde vencer ou perder passavam a ser parte dos detalhes do caprichoso futebol.

Scolari foi responsável por momentos contagiantes da "Era Parmalat". De suas mãos saíram presentes do nível de uma Copa do Brasil, Mercosul (ambas em 1998), além da inesquecível Copa Libertadores (1999) – vitórias alcançadas na bacia das almas, frente a adversários de gabarito, tornando-lhe o único técnico a saber lidar com as melindres do "nefasto presidente – com 'p' minúsculo – do bom e barato".

Estaria sendo injusto com nosso técnico atual? Por acaso, teria esquecido dos Estaduais (1993, 1994, 1996 e 2008), Rio/SP (1993) e Nacionais (1993 e 1994) conquistados sob seu comando?

Não posso deixar de ressaltar que, pelas mãos de Luxemburgo, a SEP teve uma das melhores equipes de sua história. Pois é, alguém se recorda de 1996?

Portanto, mesmo que de brincadeira, vale tentar chegar a um consenso: "Quem era o melhor?". Estamos falando de dois técnicos que, juntos arrebataram "doze troféus" – Luxemburgo sete/Scolari cinco.

Não me importa que o melhor seja A ou B. Importa, sim, que o grande vitorioso seja a SEP, orgulhosa por poder contar em sua história com dois vultuosos profissionais.

Para você: "Onde está o melhor?

Viaje pela qualidade.

17/06/2008

"17) AMOR À CAMISA"


"... o homem optou pelo preço de sua paz interior ..."

"AMOR À CAMISA"

Nove anos se passaram. Parece que foi ontem. A SEP conquistava a Copa Libertadores da América de 1999.

Indiscutivelmente, uma equipe competitiva, capaz de exterminar seus adversários, com técnica refinada e disciplina tática.

Foram sete vitórias e duas dúzias de gols, por intermédio de uma linha de defesa, meio campo e ataque, em perfeita sintonia. O comandante técnico, Scolari, sabia extrair de cada um, o melhor possível.

Havia amor à camisa? Que pergunta difícil!

O que é amor à camisa? É óbvio, cada um define à sua maneira.

Eu procuro entender "amor à camisa" como o equilíbrio entre direitos e deveres, onde cada um executa suas atribuições e é premiado proporcionalmente por elas. É a síntese do que vejo no profissionalismo.

Mas o que dizer de Marcos, melhor goleiro que vi vestir a camisa da SEP?

Lembro-me bem que, em 2003 (pior momento de nossa gloriosa história), Marcos poderia ter deixado a equipe na Série B e partido para a Inglaterra (Londres, mas precisamente). Declinando da proposta, preferiu a humilde e pacata vida de homem do campo, que sempre foi – "Liberdade é a consciência do que o corpo nos permite" , diria a frase do nobre poeta e palmeirense Franzoni.

Enfim, o homem optou pela felicidade de ser herói de uma torcida que lhe venera. Portanto, o homem optou pelo preço de sua paz interior, oferecendo-nos um conceito diferenciado de "amor à camisa".

Assim sendo, ainda encontramos romantismo no futebol. Seu personagem principal, Marcos.

14/06/2008

"16) O MAESTRO VOLTOU A REGER"


"A bola é sua refém e o resgate é incalculável"

"O MAESTRO VOLTOU A REGER"

O estilo contagia a equipe e faz a torcida esquecer uma possível saída. A bola é sua refém e o resgate é incalculável. Mais uma vez ele foi o melhor.

Amor à camisa, uma segunda pele ... pura hipocrisia? Exemplos de homens como Valdívia nasceram para violar o lugar comum. Apenas seu vínculo profissional pode domesticá-lo; torná-lo cativo.

Um dia, o número dez da camisa esmeraldina deixará de ser usada pelo "Mago" da bola. Será de outro que à sua maneira imortalizará jogadas. Mas, enquanto o momento final não chega, deixemos as vozes ecoarem pelos estádios, ao som de cânticos de louvor ao maestro da meia cancha verde e branca.

Uma penalidade sofrida ... um gol de voleio ... uma assistência ao colega de equipe, necessitando mostrar serviço. Tenham certeza, Valdívia é o apelo de títulos da exigente torcida.

Entre o chileno e a galera há um colóquio de amor doentio, beirando a loucura, inaceitando infidelidade. Afinal, ele é mais um de nossos imortais, iguais àqueles que, quinze anos atrás fizeram-nos felizes, após uma longa abstinência de conquistas.

Enfim, o maestro voltou. O ídolo a serviço de nossa história.

10/06/2008

"15) ENTRE PONTES E PAREDES"


"É preciso estar sempre provando a cada dia que somos um dos melhores. A competitividade pede isso."

"ENTRE PONTES E PAREDES"

Caminhar é muito bom. Uma vávula de escape; faz você pensar melhor. Lembrar das ciladas do cotidiano que teimam pegar o homem de surpresa.

Coloquei-me a pensar nas peripécias do domingo, desde as mais banais. Como um simples mortal, pude perceber como tudo tem importância. Nada passa pelo crivo da memória.

Perder é possível. Querer perder é que é lastimável. É deixar de valorizar o que nos é de direito. Foi assim que o destino pregou mais uma de suas peças.

Prepotência é um sentimento arrogante, próprio dos homens cegos pelo poder. Não há química perfeita entre nós competidores e a vitória pelo simples motivo de ser. É preciso estar sempre provando a cada dia que somos um dos melhores. A competitividade pede isso.

Não vou acreditar que partir, um dia, influencia na vontade de ficar, hoje. Pudera, estamos sempre recomeçando; trilhando um caminho respeitável e profissional.

Porém, como tudo que perdemos valoriza-se após a reconquista, aqui estamos nós, olhando firmemente o horizonte que se mostra duvidoso. Não é de nosso feitio crer na derrota fácil. Amanhã será um novo dia para todos, inclusive para aqueles que nos tripudiaram, acreditando em nossa instabilidade.

07/06/2008

"14) CRÔNICAS DE UM ETERNO PALMEIRENSE"


"O bom senso sempre nos levará aos caminhos da beleza, da bondade e da verdade. Nada mais nos importa. "

"CRÔNICAS DE UM ETERNO PALMEIRENSE"

Livraria, xícaras de café e companhia agradável. Resolvi voltar a ler temas acadêmicos. Minha "Pós" cobrava-me uma atitude; um "Projeto de Pesquisa".

As Cruzadas, cidade de Jerusalém, Cavaleiros Templários, séculos XI, XII, XIII, XIV ... Renascimento, séculos XV, XVI ... grandes navegações e conquistas de um novo e desconhecido mundo.

Repentinamente, na mesa próxima vislumbro, exporádicamente, as manchetes do jornal alheio. Títulos coloridos; páginas de esporte; futebol ; SEP.

A "imprensa" - com "i" minúsculo - deita e rola saborosamente. Antes de uma verdade evidente, inventa. A criatividade a serviço do sensacionalismo.

Não pude me conter, levantei e fui comprar o venenoso periódico. O homem, cada dia que passa, toma atitudes cada vez mais próprias de seu instinto. Queria mais que tudo, desmentir, mesmo que somente para mim, os escritos apócrifos.

Luxemburgo, antes contratado pelo México, hoje, fechava com a cidade de Lyon, na França. Valdívia, "O Mago", antes contratado pelo mercado espanhol, hoje, fazia parte dos planos lusitanos do Benfica, de Lisboa, Portugal. A política interna palmeirense parecia mais uma "Torre de Babel". E o jogo do próximo domingo, no Recife, propagandeava mais uma batalha entre duas tribos.

Todas as notícias possuíam um fio condutor verdadeiro. Contudo, paremos pela frase anterior. Hoje, o "jornalismo inferior" escreve textos fictícios, próprios dos "tablóides mambembes".

Luxemburgo, é verdade, esteve na lista de possíveis técnicos do selecionado mexicano. Mas, nada oficial: apenas sondagens. Da mesma forma com Lyon, na França. Todavia, nosso virtuoso técnico, em momento algum leiloou seu atestado liberatório. Coincidentemente, a mesma análise pode ser feita para Valdívia. Aliás, vendido a todo o continente europeu, nos últimos doze meses.

Nosso momento político é um caso particular. De um lado, temos um situacionismo discreto, tentando lavar a roupa internamente. Do outro, um oposicionismo dado a escândalos de meretriz. Se o situacionismo não unir-se em torno de um ideal comum (a SEP), o número de tablóides vendidos crescerá, com certeza.

Finalmente, no caso insuflador de domingo, teremos um jogo de futebol. Nada mais que isso. Não há espaço para "guerras campais" no esporte contemporâneo.

Devemos ter juízo ao escrevermos sobre determinados assuntos de domínio público. "Guerra homéricas" podemos iniciar. Torço para que minha filha saiba usar seu diploma de jornalismo da melhor maneira possível, evitando os vícios da mídia sensacionalista.

Quanto a mim, fechei o jornal e voltei à Baixa Idade Média, esperançoso com um domingo de vitória palestrina e nada de guerra. Guerra, só das Cruzadas.

03/06/2008

"13) ELE, O HOMEM DA CAMISA NOVE"


"... a arte de balançar as redes."

"ELE, O HOMEM DA CAMISA NOVE"

Cresci assistindo futebol e deslumbrado pelo gol. Assim sendo, meu primeiro ídolo nasceu.

Tudo era festa, carnaval e delírio. Afinal, o irreverente César sabia promover um espetáculo.

Constantemente atento, desafiando e desconcentrando seus marcadores, o atacante alviverde oportunizava seus arremates e cabeceios. Invariavelmente levava vantagem. Era a habilidade do bom malandro, a serviço dos sonhos de uma criança.

Minha primeira camisa da SEP foi a número nove. De "César Maluco", das comemorações inusitadas ... da memória que hoje, insistentemente, recorda-se de suas pirotecnias.

Hoje, mais um atleta tenta à sua maneira entrar para a história palmeirense.

Careca, de fala baixa e mansa, não é pela voz que lembramos dele. Anotar o gol é sua marca, seu código genético.

As esperanças nesse centro-avante parecem ser unanimes. Ele é o cara entendido na arte de balançar as redes. Até aqui, vinte vezes.