Vitòrio era um homem de hábitos comuns. Natural da Calábria, província da Itália, chegou ao Brasil cheio de sonhos," fazer a América".
Galanteador, não podia ver um rabo de saia. Ao chegar a uma das tantas fazendas de cafés existentes no interior do estado, enamorou-se da futura esposa.
Nos finais de semana, descansando do plantio e da colheita, entre um beijo e uma volta ao redor da praça matriz, Vitòrio tomou gosto pelo futebol e pelo "Palestra", mais especificamente. Pois é, tudo que pudesse lembrar a Itália tinha um apelo aos sentimentos desse homem tosco, verdadeiro símbolo do homem do campo.
Entre um gole de café e um cigarro de palha, nosso personagem pôde acompanhar passo a passo, a gloriosa campanha de 1942, do campeonato estadual - embora as novidades nunca chegassem rapidamente.
Quanto à mudança de nome (Palestra/Palmeiras), enquanto foi vivo, nunca aceitou. Obviamente, Vitòrio achava um ato traiçoeiro com a "Nostra Itàlia". Carcamanos eram todos aqueles do Ministério da Justiça, que planejavam acabar com os últimos suspiros da memória da terra natal.
O homem veio ter à capital, quando pensaram em desapropriar as dependências do único e caro patrimônio palestrino – "Stadium Palestra Itàlia" .
Oportunistas ocasionais da 2ª Grande Guerra tramavam tomar o que pertencia por direito à colônia de trabalhadores fabris. Observando ostensivamente, assustaria a quem lê, saber que entre os "oportunistas ocasionais", encontravam-se membros de um certo clube, que construiria sua sede na Zona Sul da cidade?
Muitos de nossos antepassados, incluindo Vitòrio (Nono Vitòrio, como era chamado pelos netos) impediram a entrada de quem quer que fosse, acorrentados à porta principal. Pois é, houve quem dissesse sobre barricadas de tambores de óleo ardendo, preparados para um suicídio coletivo.
Nono Vitòrio justificou a raça de "bravos homens e guerreiros" que o Hino Nacional Italiano – "Fratelli D`Itália" – apregoa.
Entre os irmãos da mesma terra, cerrando fileiras intermináveis de corajosos torcedores, "apaixonados pela Itália e pelo Palestra", Vitòrio disse sim à causa dos preservadores da memória de uma tal "Società Palestra Itàlia" .
Que mais essa história possa incentivar nossos conselheiros - independente das frentes políticas que defendam – a votar pelos ideais e não pelos indivíduos, tornando assim todos dignos de cantar, iguais aos nossos antepassados, "Fratelli D`Itàlia" .
Membros do conselho e nobres palmeirenses: "DIGAM SIM!" .







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