29/04/2008

"3) IDEOLOGIAS, PIERRE, SACCO E VANZETTI"


"... nosso operário fabril da bola ..."

"IDEOLOGIAS, PIERRE, SACCO E VANZETTI"

Nas indústrias norte e sul-americanas (séculos XIX e XX), com a chegada dos trabalhadores assalariados - principalmente imigrantes (entre eles, os italianos) - institucionalizou-se um novo conceito de sociedade econômica. Entre empregadores e empregados nasceu a reciprocidade de direitos e deveres - na maioria das vezes, injusta por natureza. A injustiça levou o operário fabril a engajar-se em movimentos solidários, sindicatos e doutrinas filosóficas. Representantes da classe trabalhadora sentiram a necessidade imperativa de trazer a luz do conhecimento a seus pares. Em contra partida, tornaram-se empecilho aos interesses da minoria.

Por exemplo, a anarquia viabilizou um novo "modus operandi" para a sociedade trabalhadora das fábricas. Ela suprimia a figura do Estado como elemento normatizador e governante.

Insatisfeito com a "anarquia" reinante enquanto doutrina filosófica - desenvolvida de forma incontestavelmente participativa, principalmente pelas colônias espanhola, portuguesa e italiana - os empresários passaram, peremptoriamente, a utilizarem-se dos canais de justiça - mesmo que manipuláveis a seu favor. Um dos exemplos mais bem acabados da História foi o controverso caso de 1920, em que foram arrolados Sacco (1891-1927) e Vanzetti (1888-1927). Sendo assim, anarquistas por natureza e engajados na luta de classes, foram acusados de terem roubado e assassinado um contador e um segurança de uma fábrica de sapatos. Claro, eram inocentes! As evidencias eram insofismáveis! As provas eram incontestáveis! Todavia, foram levados à cadeira elétrica, embora a sociedade mundial tenha criticado tal atitude.

Tudo aconteceu , dizem os estudiosos do caso, por que Sacco e Vanzetti eram anarquistas, estrangeiros - pior, italianos! - e operários. A sociedade industrial mal deixara a manufatura caseira e já apresentava traços reacionários. Medo da perda do poder ou medo de dividir o poder com quem lhe parecia inferior?

Seus marcos, o século XX deixou. Viabilizou o nascimento do século XXI, e com eles empregadores e empregados desenvolveram-se frente a valores éticos e puderam otimizar seus relacionamentos. Restaram sequelas, mas, a esperança nos permitiu sonhar com dias melhores.

Assim sendo, e guardadas as devidas ressalvas, não podemos concordar com pré-julgamentos em quaisquer instâncias. Culpar antecipadamente A, B ou C é, no mínimo incompatível com a verdade. Não podemos acreditar em novos "Saccos e Vanzettis" sendo levados ao cadafalso, por pseudo atentados a "gás pimenta", quiçá genérico.

É necessário guardar a figura dos nobres e valorosos operários de outra forma. Artisticamente falando , com a bola nos pés. E aí temos um homem acima de qualquer suspeita: Pierre, da Sociedade Esportiva Palmeiras. Autêntico representante da melhor linhagem dos batedores de meia cancha. Caçador implacável dos adversários, a lealdade diferencia sua forma de atuar.

Pierre, nosso operário fabril da bola dignifica a História de todos os operários que, assim com Sacco e Vanzetti, quiseram manter seus direitos a mercê de seu cotidiano. Vale lembrar Sacco, ao falar com Dante, seu amado filho: "lembre-se sempre dos dias de alegria e não use tudo apenas para você, desça um degrau e ajude sempre ..." Pierre desde que chegou ao clube, não tem feito outra coisa.

26/04/2008

"2) GOMES E VERDI, NA PONTE SOBRE ÁGUAS CLARAS"




"Ainda na península teve a honorável oportunidade de conhecer um músico nascido em Roncole, Francesco Verdi (1813-1901), um dos maiores compositores do romantismo italiano."

"GOMES E VERDI, NA PONTE SOBRE ÁGUAS CLARAS"

Sinceramente, quanto mais longe nos distanciamos das capitais tupiniquins mais próximos estamos da pureza emocional. Assim sendo, é lá que os últimos suspiros de uma vida natural podem ser encontrados. A imagem de colinas, rios e estradas de terra vermelha - tentando resistir - permitem aos mais sensíveis proporem pactos ecológicos com o meio ambiente. A música estabelece a sonoridade que traz cor ao quadro plasmado.

Assim foi no século XIX; cidade de Campinas; palco do nascimento de Antônio Carlos Gomes (1836-1896), um dos mais importantes músicos brasileiros. Construíram sua irrepreensível carreira, polcas, quadrilhas, óperas e valsas. A obra "O Guarani" (1870) pode ser reverenciada como seu momento de maior importância.

Foi na Itália - Milano mais precisamente - que Gomes apresentou pela primeira vez sua ópera de maior sucesso. Ainda na península teve a honorável oportunidade de conhecer um músico nascido em Roncole, Francesco Verdi (1813-1901), um dos maiores compositores do romantismo italiano.

Entre algumas características de sua personalidade, Verdi ressaltava um patriotismo estóico que levaria o músico a eleger-se deputado e senador.

Oriundos de famílias humildes, Gomes e Verdi performatizaram inúmeras características dos povos brasileiro e italiano. Inegavelmente, uma delas, esse constante espírito apaixonado por pessoas, sociedades e símbolos - entre eles o futebol. Nascia uma febre contagiante entre os populares.

E como a História é cíclica, mais um feixe de fatos deve ser completado neste final de semana. "Gomes versus Verdi"; "Campinas versus Roncole"; “a cidade que deu Gomes ao mundo" versus "os oriundi di Verdi".

É chegado o momento. Perguntas teimam a insistir: "Quem poderá resistir ao encontro impactante entre 'os partidários do músico e alfaiate Gomes' versus 'Verdi, o filho do taberneiro?"

Nós, particularmente, esperamos que "La Traviatta" (1853) derrote "O Guarani" e que possamos comemorar a bordo de uma caneca de vinho. Pois, como diria Francesco Verdi: "Questo giovane comincia dove finiscco io!" (Este jovem começa de onde eu termino) . E a ópera não terminou.






22/04/2008

"1) A ARTE INERENTE AOS IMORTAIS"



"Ao tornar-se membro da cidadania do mundo, entre o ocidente e o oriente, seu 'Império Romano' é o aqui e agora."

"A ARTE INERENTE AOS IMORTAIS"

No futebol, aquele que passa e deixa na cara do gol; aquele que lança, recebe de volta e arremata; é o artista que produz a felicidade - a alegria infinita, no simples gesto de ser.


Esse artista ultrapassa as fronteiras do nacionalismo exacerbado. Ao tornar-se membro da cidadania do mundo, entre o ocidente e o oriente, seu "Império Romano" é o aqui e agora.


Continue assim "Mago da bola"! Alegre-se! Não é pecado morder a maçã e logo após fazer embaixadas com ela.


Ilimitada, acredite, é a vontade peremptória de poder testemunhar a fila indiana de seus adversários, um a um, sendo derrotados pelo veneno de seu drible.


Continue assim "Mago da bola"! Alegre-se! Manufaturado, o número dez às costas é o exemplo vivo da assinatura de sua capacidade.